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Detalhes:
Brochura
14x21cm
152pp
R$ 39,90

Data de Lançamento:
3/9/2012

1ª edição

ISBN:
978-85-378-0883-2

Tradução:
Maria Luiza X. de A. Borges


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PSICANÁLISE
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A criança de 5 a 10 anos
Um livro para pais e educadores
Entrevista exclusive: Abrahão H. Brafman

O senhor usou a sua experiência em consultório para selecionar os temas tratados no livro?
O texto foi baseado principalmente em minha experiência clínica, mas também na minha vida pessoal. Claro que consultei a literatura relevante, mas a organização dos capítulos, dos temas abordados, é muito pragmática. Apesar de sempre ter estudado material publicado, a verdade é que meu cérebro não tem estrutura acadêmica, de modo que, de modo geral, o que escrevo tem um tom de “diálogo”, algo como “pés na terra”.
Sempre tive muito interesse em crianças, não só filhos, mas também amigos desses e, eventualmente, as crianças que atendia no meu consultório, tanto particular quanto hospitalar. Tendo passado muitos anos considerando a criança como indivíduo isolado, aos poucos fui me convencendo de que os pais tinham uma influência muito importante no desenvolvimento de cada criança. Focalizando uma criança específica e seus pais, é praticamente impossível distinguir o que a criança “trouxe dentro de si” desde sua concepção e o que resulta da contribuição de seus pais ao longo dos anos. Costumo falar de um “self-perpetuating vicious circle” – um círculo vicioso em que as expectativas de cada membro o levam a agir exatamente da maneira que provoca a reação do outro, o que leva à perpetuação daquele círculo vicioso. E, vistos no consultório, o objetivo é exatamente identificar como este círculo funciona e, então, ver como pode ser interrompido. Nada fácil, mas muito importante.

Na sua opinião, a criança de 5 a 10 anos precisa de orientação para passar por todas essas transformações, ou essa é uma fase necessária e um pai bem informado pode ser apenas um aliado mais paciente?
A faixa dos 5 aos 10 anos corresponde ao que Freud chamou de “fase de latência”, em que ele postulou haver uma redução dos “impulsos sexuais” e uma gradual integração da criança no mundo ambiente, fora de casa. E realmente acredito que a criança dessa idade tem uma atitude com relação a seu mundo doméstico e ao mundo exterior bem diferente das crianças com menos de 5 anos e daquelas que entram na puberdade. Quanto à pergunta se elas precisam de orientação, não tenho dúvidas: a orientação é vital, mas o mais importante é reconhecer que, independentemente dos pais acharem que dão – ou não dão – essa orientação, o que a vida nos ensina é que todos os filhos registram as atitudes dos pais como influência inevitável na sua vida: quer os pais sejam intrusos ou ambíguos ou reservados ou ausentes, a vivência da criança é que essas atitudes mostram os sentimentos que cada pai tem por ela. Não se trata de “vivências paranóicas”, mas sim do fato de que todos registramos e reagimos à maneira como nos tratam aqueles a quem amamos.
Sua frase “um pai bem informado pode ser apenas um aliado mais paciente” é muito importante, mas eu cortaria o “apenas”. O ideal é que todos os pais fossem “bem informados”, mas a verdade é que a maioria de nós carrega apenas o que foram nossas vivencias dos anos em que crescemos – e são raras as pessoas adultas que realmente se privaram da companhia de crianças. São muitos os adultos que, ao se tornarem pais, descobrem que jamais haviam se aproximado de um bebê.
O importante é ter capacidade de reconhecer o momento em que nossas capacidades não nos ajudam a resolver algum problema – e, ainda mais difícil, conseguir bater em alguma porta para obter a ajuda desejada.

O senhor vive há anos na Inglaterra. Em sua opinião, existe uma diferença grande no tratamento e criação das crianças por ingleses e brasileiros?
Difícil dar uma resposta concisa. Cada pai tem seu estereótipo, mas de fato nossa imagem de uma criança crescendo no Leblon é muito diferente de uma criança crescendo em Bangu ou Salvador ou Porto Alegre. Existem fatores ligados à classe social, história cultural da origem de cada pai e mãe, e muitos, muitos mais fatores. Mas, por exemplo, eu sempre pensei que crianças inglesas eram separadas dos pais e criadas em “boarding schools”, mas depois descobri que isso acontecia apenas em determinadas classes sociais e, de fato, hoje em dia são muito poucas as crianças que são colocadas em colégios internos.
É um fato que meu livro foi escrito depois dos muitos anos em que vivo na Inglaterra (cheguei aqui em 1960!) e por mais que minha vida de brasileiro, quer no Brasil ou aqui, tenha influenciado o que escrevi, só posso mesmo esperar que o leitor brasileiro encontre descrições e análises no texto que possam ser úteis à sua maneira de tratar seus filhos.
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> O autor acredita que o ambiente em que os pequenos estão inseridos também influencia na sua formação. Nessa entrevista, ele fala sobre esses e outros assuntos.

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