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Detalhes:
Coleção Antropologia Social

Brochura
16 x 23 cm
296pp
Ilustrado
R$ 69,90

Data de Lançamento:
4/3/2011

1ª edição

ISBN:
978-85-378-0514-5

Tradução:
Luiz Fernando Dias Duarte (antropólogo e professor do Museu Nacional / UFRJ), com a colaboração de João de Azevedo e Dias Duarte


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Futuros antropológicos
Redefinindo a cultura na era tecnológica
> Entrevista: Michael M. J. Fischer

A antropologia sofreu grandes transformações no século XX e Lévi-Strauss disse que mudanças no mundo mataram a disciplina. O que o senhor pensa sobre isso? O argumento de Futuros antropológicos é que os métodos etnográficos permanecem uma ferramenta vital para entender nosso mundo de mudanças velozes, e a antropologia necessita do trabalho empírico que a etnografia fornece. A antropologia permance o único profundo cruzar de culturas, e epistemologicamente comparativo, no campo das ciências sociais e das humanidades. Enquanto sociólogos, cientistas políticos e economistas fazem trabalhos comparativos, e eles normalmente selecionam os seus termos de análise como variáveis e, então, comparam de acordo com uma rede universal. Em contraste, antropólogos perguntam como as variáveis são construídas e quais suas implicações sócio-culturais e políticas.

Lévi-Strauss escreveu de dois modos. Em Tristes trópicos ele escreveu sobre como sociedades em pequena escala da Amazônia e de outros lugares estavam sendo destruídas pela expansão das políticas econômicas modernas, por indústrias agrículas e extrativistas que limpavam a floresta.

Em uma formulação surpreendente, ele argumentou que as sociedades que valorizam uma espécie de equilíbrio com o mundo ao seu redor ("sociedades frias") estão sendo destruídas por sociedades que mudam de valor rapidamente em busca do novo, melhor, mais eficiente, mais poderoso ("sociedades quentes"). Enquanto slogans românticos da sabedoria tradicional ainda são usados em alguns discursos ambientalistas, as comunidades ameaçadas, como os Inuit do Ártico ou as tribos na Amazônia, tiveram de se tornar muito mais politicamente astutas, exigindo um lugar na mesa e um papel na negociação de seus próprios futuros em um mundo interconectado.

O segundo modo no qual Lévi-Strauss escreveu foi desenvolvido pela fonologia, linguística estrutural e a teoria dos conjuntos e topologia. O rótulo “estruturalismo” é profundamente associado a Lévi-Strauss, mas é inconcebível pensar nele apenas como uma "escola" ou um momento de passagem na antropologia. Estruturalismo, eu questiono em Futuros antropológicos e em outros lugares, foi um amplo movimento na área das ciências no início e meio do século vinte, assim como no pensamento francês. Lacan e os chamados "pós-estruturalistas" como Foucault, Bourdieu, Derrida ou Kristeva, todos permanecem profundamente estruturalistas em seus métodos analíticos. Se você relê hoje, por exemplo, "Finale" in Mythologique, de Lévi-Strauss, é impressionante o quanto do pensamento biológico contemporâneo e tonalidades derridarianas é possível encontrar.

Em seu livro, o senhor analisa essas mudanças de uma forma cronológica? Que métodos escolheu?
Os argumentos de Futuros antropológicos estão organizados ao redor da dialética entre mudanças no contexto histórico e a produção de teorias heurísticas. Na abertura de dois ensaios, há uma estrutura em dupla hélice de amplos períodos históricos entrelaçados com mudanças na atenção teórica e no desenvolvimento.
Há uma estrutura em espiral para o desenvolvimento da teoria social, com teóricos posteriores rondando uma teoria anterior e trabalhando novamente esta de acordo com um novo contingente ou novos desafios, assim como desenvolvendo uma nova teoria decorrente de novos desenvolvimentos sociais. Eu proponho ver isso como um "kit de ferramentas", em vez de histórias de ideias desgastadas. No terceiro ensaio (sobre a natureza) eu uso quatro problemáticas contemporâneas (apesar de cada uma ter seu próprio emaranhado de histórias) para argumentar que a "natureza" opera a partir do que nós tentamos separar de nós mesmos mas não podemos, e que pensamos da mesma forma, mas estamos constantemente nos encontrando como "outros". De novo, eu gosto de pensar isso como mais relacionado com problemas de primeira natureza (macro-ambiente), segunda natureza (tecnologia) e terceira natureza (reconstituindo nós mesmos de forma biológica de dentro para fora), e quarta natureza (simbiose e vivendo abaixo da tutela dos animais, parasitas, e outros membros de nossas comunidades habituais). Nos últimos capítulos eu me volto para a estrutura do jogo da vida social ("não pergunte o que o homem é, mas o que se pode esperar dele") e suas implicações para a cosmo-política, o entrelaçamento de competição e colaboração nos processos transnacionais e globais.

O senhor acredita que os estudos futuros da antropologia vão se concentrar no Oriente?
Ásia é um foco crescente de atenção em caminhos que a antropologia apenas começou a considerar. Apesar de já termos muito boas e detalhadas etnografias de pessoas e lugares, o rico conjunto de negociações culturais e sociais que constituem o nosso mundo cada vez mais global estão apenas começando a ser visto. Muito disso, Futuros antropológicos argumenta, mas certamente não tudo, tem a ver com o desenvolvimento nas ciências e tecnologias, nem todos facilmente separáveis em lugares de origem.
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> "Ásia é um foco crescente de atenção em caminhos que a antropologia apenas começou a considerar." Leia entrevista com o autor, em que ele comenta o livro e fala sobre o que esperar do futuro antropológico.

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