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O Projeto do Renascimento
Entrevista: Elisa Byington

O Renascimento continua, até hoje, intrigando os especialistas. Isso por causa da variedade de obras produzidas no período?

O inesgotável interesse pelo Renascimento se deve à beleza de suas obras de arte e à importância das ideias elaboradas no período, que marcou o início da Idade Moderna e do predomínio da cultura do Ocidente, com as quais viemos fazendo contas através dos séculos até hoje. Ainda que a arte atual tenha deixado de lado a chamada “imitação da natureza” que caracterizou o Renascimento, os artistas continuam a se confrontar com as soluções e os artifícios produzidos por esse grandioso período da cultura. Muitas vezes essa reflexão não deixa marcas visíveis nos trabalhos contemporâneos. Outras vezes, os artistas se refazem de maneira mais evidente a esse repertório, seja através da paródia e da ironia, seja até mesmo na recriação das mesmas imagens com outros materiais e outros meios como, por exemplo, fazem o Vik Muniz ou o Bill Viola.

O Renascimento reflete toda uma mudança de pensamento no século XV? É a concretização, nas artes plásticas, de idéias que passaram a vigorar na época?

A releitura da cultura clássica, herdada da Grécia e da Roma Antiga, representou uma imensa abertura para o pensamento e foi decisiva para a valorização das artes visuais que tinham sido relegadas a um segundo plano durante a chamada Idade Media. Essas eram consideradas uma manifestação mais superficial da cultura, destinadas à mera satisfação dos sentidos, desprovidas de um pensamento que as enobrecesse. Estavam confinadas à esfera dos trabalhos manuais, simples artesanato, e, durante o Renascimento, passaram a ser vistas como parte de uma esfera mais nobre da cultura e admitidas ao lado da poesia, da música e da matemática. Nesse período, o retorno ao naturalismo das formas cultivadas pela arte antiga – a nudez, por exemplo - foi acompanhado pelo pensamento de que estas representavam uma reflexão sobre a natureza humana. Os teóricos da época observaram que, para reproduzir a figura humana, suas ações e emoções, os artistas deviam ser cultos. Para recriar a ilusão do real na superfície bidimensional do quadro era necessário o conhecimento de ciências como a geometria e a matemática. Ao mesmo tempo, o exemplo da magnificência dos antigos imperadores, e da ideia de que a beleza era importante para o bem comum, legitimou o gasto de somas enormes de dinheiro em obras de arte e a disputa entre papas, aristocratas e banqueiros de quem promovia as obras mais belas ou os melhores artistas. Sorte nossa. Poderiam ter gastado tudo em guerras ou obras públicas sem preocupação estética. Teria sido uma lástima.

Leonardo da Vinci e Michelangelo são alguns dos mestres do movimento. Há algum artista que possa ser considerado um símbolo do período? Cuja obra ou história refletem os conceitos e mudanças do Renascimento?

Leonardo, Michelangelo e Rafael foram chamados de “trio de ouro do Renascimento” por Paolo Giovio, um critico da época. Hoje, a importância e o fascínio da pintura de Rafael nos é menos evidente. A harmonia das formas e cores de seus quadros, assim como a capacidade que possuía de dar naturalidade a imagens, fascinou sua época e não deixou insensível nem mesmo Picasso que disse: Leonardo nos promete o paraíso; Rafael nos dá. Mas o artista atormentado representado por Michelangelo, sua significativa independência em relação aos mecenas, a fazerem dele um modelo mais próximo à sensibilidade dos nossos tempos. Grande escultor, pintor, arquiteto e poeta, é um daqueles gênios para quem não parecia haver fronteiras no mundo da arte. De todo modo, pela variedade de seus interesses, Leonardo da Vinci é certamente o símbolo de todo o período. Ele acreditava que a observação empírica registrada pelo desenho era superior à maior parte das ciências. Suas investigações e sua arte testemunham a proximidade que se vivia entre as várias ciências, na época ainda sem fronteiras bem delimitadas.
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