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Detalhes:
ESGOTADO E
FORA DE
CATÁLOGO


Brochura
16 x 23 cm
360pp
R$ 52,90

Data de Lançamento:
6/1/2009

ISBN:
978-85-378-0115-4


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O Convento Santo Antônio do Rio de Janeiro
Sua história, memórias, tradições
Entrevista: Frei Róger Brunorio

Frei Róger Brunorio tem sempre uma declaração de Santa Clara na cabeça: "Nunca perca de vista o seu ponto de partida". Mais do que um conselho para a vida, a frase serve também para pensar todo o trabalho de atualização e revisão feito na nova edição de O Convento Santo Antônio do Rio de Janeiro , de Frei Basílio Röwer. Frei Róger usou seu conhecimento como museólogo, a experiência de quem vive há cinco anos no convento e uma pesquisa vasta em fotos e livros para compor centenas de notas que atualizam a obra e corrigem qualquer espécie de equívoco que possa ter sobrevivido às edições anteriores. O objetivo é chegar o mais próximo possível ao que o autor pretendia em seu ponto de partida: trazer à tona a história de um dos mais importantes monumentos da cidade, de forma fidedigna e rica. Na entrevista abaixo, ele fala da nova edição, de toda a pesquisa realizada e da importância da obra que, depois de esgotada por 63 anos, chega novamente às mãos dos leitores. Tudo isso no ano em que o convento completou seu 400º aniversário.

Que acontecimentos históricos marcaram a trajetória do Convento Santo Antônio e que fazem com que a história do monumento acabe por contar também importantes passagens da trajetória do Rio de Janeiro e do país?

O Convento é um monumento religioso, histórico e cultural. Frei Vicente do Salvador foi o primeiro fundador, o primeiro superior. A cidade recebeu aqui (no Convento Santo Antônio) a proteção de Santo Antônio contra a invasão dos franceses (em 1710) e esse é um acontecimento forte dentro do imaginário religioso do país. Os franciscanos eram ligados à família real e os frades eram os responsáveis pela educação da realeza. D. Pedro I era freqüentador. Os discursos proferidos, por ocasião de morte, nascimento ou coroação, eram feitos pelos frades. A carta do Dia do Fico foi redigida aqui. Uma universidade funcionou dentro do monumento, com 13 disciplinas, de 1776 até o início do século XIX. O Conde de Linhares foi enterrado aqui, assim como o músico Marcos Portugal (compositor português de música erudita, cuja obra era, em sua época, conhecida em toda Europa). Os filhos de D.Pedro I, D.Pedro II e a Princesa Isabel foram enterrados no convento. Até 1850 era comum a existência de sepultamentos dentro das igrejas e havia 20 sepulturas em cada quadra do claustro do convento. Quadros de Victor Meirelles (que pintou obras históricas de 1832 a 1903) foram pintados aqui. Frei Galvão também viveu um ano na instituição e provavelmente foi ordenado sacerdote na igreja conventual. Talvez a primeira favela da cidade tenha nascido no Morro de Santo Antônio, mas em 1916 houve um incêndio e as famílias foram remanejadas para o Morro da Mangueira.

Como foi o processo de atualização do livro e elaboração de notas para a edição?

O livro de Frei Basílio é uma obra de referência e é praticamente o único estudo realizado sobre o Convento Santo Antônio. Mas precisava de atualizações, porque estava cheio de equívocos. Primeiro, porque o frei pensava em alemão e escrevia em português. Em determinado momento, por exemplo, ele diz que o convento sofre uma restauração e, na verdade, foi uma reforma (reforma modifica o espaço, restauração volta à origem). A localização da biblioteca é outro exemplo.Sabemos hoje que esteve em três lugares diferentes. Para entender o espaço tive que consultar fotos antigas e, assim, pude deixar nas notas essa informação clara e ainda botar a ordem das mudanças, porque o monumento sofreu muitas reformas ao longo dos anos, algumas descaracterizaram muito o espaço. A solução foi fazer esses acertos em notas, porque não posso mexer numa obra de referência. Foram notas elucidativas.

Dentro das comemorações dos 200 anos da chegada da família real, era mais do que justo que essa obra fosse reeditada. O livro estava esgotado há 63 anos. Como pesquisei em outros livros para checar às informações e escrever notas, a bibliografia também foi toda revisada e alguns livros acrescentados. O material da pesquisa vem da própria biblioteca do convento Santo Antônio e do Arquivo da Província, em São Paulo, entre outras fontes.

Qual a importância que uma obra como essa tem hoje para os estudiosos?

É um trabalho memorável, de uma seriedade muito grande. Ele passou noites nessa empreitada. Leu documentos à luz de velas, decifrou livros antigos, atacados por fungos. Com o livro você conhece o monumento, sabe como os frades viviam e descobre os muitos acontecimentos históricos passados aqui. É uma obra de referência. Serve de ponto de partida para uma série de outros estudos. Quem está pesquisando o tema tem ainda uma bibliografia vasta em mãos e já tem novos caminhos para seguir. A partir desse livro, pode produzir novas conclusões e pensamentos.

No processo de pesquisa novas descobertas importantes foram feitas?

Nesse processo, descobri muitas coisas que dariam um outro livro. Encontrei, por exemplo, há poucos dias, um caderno valioso que pertenceu ao Frei Diogo de Amorim Freitas (1870-1954) e que traz notas minuciosas sobre o período que viveu no convento e que acredito que devem ter servido de base para que Frei Basílio tenha escrito sua obra.
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