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Detalhes:
Brochura
14x21
208pp
R$ 46,90

Data de Lançamento:
17/3/2009

ISBN:
978-85-378-0125-3

Tradução:
Maria Luiza X. de A. Borges


Outras áreas: Administração
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O culto do amador
Como blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores
Contribuição do leitor

O AMADORISMO NO CENTRO DO ESPAÇO VIRTUAL

Muito se tem escrito sobre as maravilhas das inovações tecnológicas na sociedade contemporânea, com ênfase para a internet. As mudanças ocorridas em todos os setores do cotidiano do homem moderno, incorporando ações triviais, como a ida ao banco ou à farmácia, até medidas burocráticas, como a prestação de contas como cidadão junto ao Fisco, são visíveis. Tudo tem o sabor de tecnologia, modernidade, avanço e evolução.

Vozes dissidentes, dentre as quais me incluo, chamam a atenção para o lado obscuro da grande rede. A solidão humana tende a se acentuar no momento em que o contato cara a cara dá lugar à proximidade forjada por trás de perfis cuidadosamente construídos em mil sites de relacionamento. Há o incremento da prostituição e de perversões sexuais, a exemplo da pedofilia. O terrorismo ganha novo aliado. O embuste editorial, idem, sem contar a nova forma de exclusão social, a chamada exclusão digital, que deixa à margem um montão de indivíduos em diferentes nações, por razões as mais distintas. Motivações de ordem social, cultural, econômica e política. Motivações de ordem pessoal.

O culto do amador, do norte-americano Andrew Keen, alerta para os riscos do enaltecimento da internet em nossas vidas. Keen, ele mesmo, um dos pioneiros das corridas iniciais de ouro da rede, como criador do Audiocafe.com, um dos primeiros sites de música digital, confessa que propagou o sonho original da internet e apresenta seu livro como a "obra de um apóstata, de um insider, agora do lado de fora [...], que renunciou à condição de membro do culto." (KEEN, 2009,p. 15). Ou seja, confessa que viveu junto ao coro mais barulhento do Vale do Silício, com a diferença de que, hoje, é alguém completamente desencantado com a revolução da Web 2.0.

Por isto, sem pudor e sem temor, dedica-se, agora, a uma cruzada em mão oposta: mostrar ao mundo os riscos de instrumentos já consagrados, como a Wikipedia. Na verdade, a tecnologia wiki (de origem havaiana = rápido), além de mil outras iniciativas, à semelhança de milhões de blogs e fotoblogs, do MySpace, do YouTube ou da estapafúrdia idéia da designada biblioteca líquida, em que o visionário Kevin Kelly apregoa a extinção do livro e sua redefinição como resultado da digitalização de todos os livros num único hipertexto universal e de fonte aberta (como se fora possível remixar A República, de Platão ou Crime e castigo, do escritor russo Fiódor Dostoiévski), além da pirataria digital em geral, estão destruindo nossa economia, nossa cultura e nossos valores. São ações que comprometem a produção intelectual, científica e acadêmica da humanidade. O fornecimento excessivo de conteúdos duvidosos provenientes de fontes, muitas vezes, anônimas, sequestram nosso tempo, roubam energia em busca de suprir nossas demandas por informação, e, mais do que tudo, dilaceram nossa credulidade.

A permissividade do anonimato e a prevalência do amadorismo em detrimento do aprofundamento das informações e dos conhecimentos estão banalizando nossos valores culturais, mediante a desinformação e flagrantes mentiras que se espalham a passos de gigante, reafirmando a premissa do ex-primeiro-ministro britânico James Callaghan, segundo a qual “uma mentira pode dar a volta ao mundo antes que a verdade tenha a chance de calçar as botas.” (idem, p. 22). Nossas instituições culturais, em especial a música e a própria mídia, estão perdendo espaço para conteúdos amadorísticos e sem qualquer critério de qualidade.

O interessante é que Keen vai além da mera opinião. Traz à tona uma série de exemplos que desnudam as consequências do culto ao amador. Quando autores de verbetes, de vídeos, de notícias, enfim, de qualquer tipo de conteúdo, se afastam do padrão profissional ou editorial, transmutam a verdade em mercadoria a ser manipulada em detrimento da responsabilidade dos que prezam a opinião pública.

Sob esta ótica, os aparentes benefícios advindos da explorada expressão democratização da informação são subjugados ao poder imensurável da pirataria digital, que representa constante ameaça à indústria fonográfica, à indústria do cinema e à indústria editorial em geral.

Em suma, o culto do amador ou ao amador, pode, de fato, como previsto por Keen, destruir nossa economia, nossa cultura e nosso valores, transmutando-nos em primatas, cujo engenho maior se reduz à compilação, ao arremedo ou à imitação grotesca.

Por tudo isso, a edição brasileira do livro O culto do amador, da Jorge Zahar, em suas 207 páginas, é um excelente recurso de reflexão sobre o rumo das inovações tecnológicas. Negá-las ou renegá-las, impossível. Elas estão em toda parte. Cuidar de suas consequências ou estar alerta para elas pode ser a solução.

Maria das Graças Targino é doutora em ciência da informação e pós-doutora em jornalismo.
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> Viste o site do autor.

> Leia discussões inspiradas nas ações praticadas no Second Life.

> Leia entrevista com o autor publicada na revista Época, em 2007.

> Leia texto que analisa o papel dos blogs para o jornalismo publicado no site Digestivo Cultural.

> Leia entrevista publicada no jornal Folha de S.Paulo com Andrew Keen e reproduzida pelo site do Ministério da Cultura.

> Veja vídeos em que Andrew Keen participa de entrevistas ou discussões, publicados no YouTube.

> O jornal americano The Wall Street Journal promoveu uma discussão sobre web 2.0 entre dois autores que escreveram sobre o assunto: Andrew Keen e David Weinberger. Confira a troca de idéias.

> Leia artigo escrito pelo autor para o jornal americano Los Angeles Times.

> Leia entrevista com o autor no jornal inglês Guardian.

> Visite a After TV, fundada por Andrew Keen e com discussões sobre mídia, cultura e tecnologia.

> Veja matéria do Bom Dia Brasil que trata do comportamento de jovens na internet e cita O culto do amador.

> Leia o que o blog Mondolivro publicou sobre esse livro. O texto foi vinculado também na rádio Guarani FM, de Belo Horizonte.

> O blog Músicalíquida comenta um debate de Andrew Keen com Jimmy Wales (um dos criadores da Wikipedia) e reproduz o vídeo com a discussão, Assista!

> No blog de Bruno Linhares, leia resenha sobre O culto do amador.

> No blog de Sam Shiraishi, a opinião da blogueira sobre esse livro. Leia aqui.

> Veja a entrevista com o autor para o programa Milênio, da Globonews.

CONFIRA TAMBÉM!
> Leia algumas frases polêmicas do autor presentes em O culto do amador.

> Leia a opinião de especialistas sobre esse livro.

> Veja as fotos da entrevista de Andrew Keen para o programa Milênio, da GloboNews.

> Leia entrevista com Andrew Keen.

> Contribuição do leitor! Maria das Graças Targino enviou para o site uma resenha sobre O culto do amador. Confira!

> Andrew Keen participa da Bienal do Livro 2009. Confira ainda a programação de palestras do autor no Brasil.

> Os leitores da Zahar no Twitter entrevistaram Andrew Keen. Confira o resultado!

> Veja foto do debate entre Andrew Keen e Caio Túlio Costa na Bienal do Livro 2009.

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