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O tempo que o tempo tem
Por que o ano tem 12 meses e outras curiosidades sobre o calendário
Parceria entre a dupla começou com 'a febre do milênio'

1) Em Sobre os ombros de gigantes, você apresenta para o leitor uma física acessível, ligada à natureza, com explicações para o mundo em que vivemos. Agora, em O tempo que o tempo tem, mais uma vez mostra a tentativa do homem em ordenar a natureza de forma simples. Neste lançamento, a astronomia tem presença forte, já que os movimentos dos astros, cíclicos e constantes, foram usados para a criação de medidas de tempo. Este seria um dos principais pontos em comum entre estas duas publicações?

ALEXANDRE CHERMAN – A Astronomia se baseia fortemente em conceitos da Física. As órbitas dos planetas, o funcionamento das estrelas, o surgimento do Universo, tudo isso é explicado graças às leis da Física. Tanto em Sobre os ombros de gigantes quanto em O tempo que o tempo tem, o objetivo principal sempre foi mostrar que, apesar destas ciências parecerem distantes e complexas, elas estão intimamente ligadas ao nosso cotidiano! Procurar explicações sobre ciclos e fenômenos celestes nos leva da Astronomia à Física e de volta à Astronomia.

2) Como foi a preparação do livro? Vocês fizeram uma pesquisa profunda sobre, por exemplo, a história dos calendários, ou reuniram um conhecimento que há anos vêm trabalhando em cursos que ministram?

ALEXANDRE CHERMAN – Os termos da pergunta não são excludentes entre si. O livro é o resultado de um trabalho de quase dez anos no Planetário do Rio, que começou com a chegada do ano 2000 e o que ficou conhecido como "a febre do milênio". Criamos um curso sobre o assunto e produzimos um programa de curta duração que passávamos na cúpula, para nossos visitantes. A "febre do milênio" passou, mas o curso continuou, tímido, oferecido a cada novo ano bissexto. Quando decidimos escrever o livro, tivemos o cuidado de aprofundarmos nossas pesquisas, buscando sempre as curiosidades inusitadas na história dos calendários. Em suma, o livro é resultado de uma pesquisa atual, mas também é a culminação de um trabalho de quase uma década.

3) Estamos em um ano bissexto. Segue uma pergunta para estimular os leitores: por que alguns anos têm mais do que 365 dias?

ALEXANDRE CHERMAN – A pergunta mais básica é: por que os anos têm 365 dias? Afinal de contas, ao estudarmos os ciclos celestes, vemos que há várias possibilidades para contarmos o tempo. O ciclo solar, base do nosso calendário, é de aproximadamente 365 dias. O número correto é 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45,2 segundos (na escola, costumamos aprender o número arredondado: 365 dias e seis horas). Ou seja, cada vez que encerramos um ano depois de 365 dias exatos, estamos desrespeitando a natureza! Para manter o compasso entre o nosso calendário e o ciclo solar, foi criado um mecanismo de intercalação, que cria um dia extra de quatro em quatro anos. É por isso que temos alguns anos com 366 dias. A pergunta mais interessante (e respondida com menos freqüência) é: por que o ano bissexto se chama bissexto? Esta o leitor vai ter que procurar no livro...

4) Como foi a parceria entre vocês? Há mais projetos em comum?

ALEXANDRE CHERMAN – Fernando é uma das pessoas mais generosas que eu conheço. Grande parte das informações que estão no livro eu aprendi com ele, quando eu ainda era um jovem astrônomo recém-formado. Desde que eu comecei a trabalhar no Planetário, em 1997, nossa parceria se desenvolveu de forma natural, em várias frentes de trabalho. O tempo que o tempo tem é apenas uma delas. Para o livro em si, acho que soubemos administrar nossas forças e o resultado ficou maior do que a soma de suas partes. A satisfação com o resultado obtido realmente nos estimula a pensar novos projetos, em especial para 2009, o Ano Internacional da Astronomia.
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