Clique nos nomes dos presos políticos para maiores detalhes sobre cada um deles.
RICARDO VILAS BOAS
RICARDO VILAS BOAS
Iniciou sua carreira musical no grupo Momento Quatro. Participou do Festival da TV Record de 1967, ao lado de Edu Lobo, com “Ponteio”. Estudante de psicologia integrante da DI-GB, foi preso no dia 1o de maio de 1969. Permaneceu algum tempo no México e optou pelo exílio na França, onde formou bem-sucedida dupla musical com Teca Calazans, gravando discos e se apresentando em diversos países europeus. Voltou ao Brasil em dezembro de 1979, com a anistia. Trabalhou em TV como diretor musical, desenvolveu carreira solo de intérprete e, nos últimos 12 anos, divide seu tempo entre Paris e o Rio de Janeiro. Ricardo tem mais de 20 discos gravados.
Sobre o vôo no Hércules 56:
“Embarquei nesse vôo, embarquei na história. E isso não é uma questão de merecimento ou não merecimento, eu acho que foi aquele momento ali, eu estava naquele momento, representei aquilo ali. E sempre tive essa consciência e orgulho também. Porque foi um momento importante, e eu participei. E quando dei meu engajamento, também foi total.”
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MARIO ZANCONATO
MARIO ZANCONATO
Nasceu no Rio de Janeiro em 1945. Estudante de medicina em Belo Horizonte, iniciou militância no PCB logo após o golpe de 1964. Tornou-se dirigente do Comitê Universitário, vindo a participar, sucessivamente, do Comitê Municipal e da Comissão Juvenil do Comitê Estadual do partido. Em 1966, desligou-se do PCB para fundar a Corrente Revolucionária, que manteve relação de semi-autonomia com a ALN, liderada por Carlos Marighella. Preso em abril de 1969, após participar de algumas ações armadas, demorou a ser libertado por resistência de setores do Exército mineiro, sendo afinal transportado pela Aeronáutica para Belém, onde foi o último a embarcar no Hércules 56. Em 1972, integrou-se ao sistema de saúde de Cuba como médico de terapia intensiva. Só voltou ao Brasil em 1993, fixando residência em São Paulo. Atualmente, trabalha na UTI de um hospital público em Diadema.
Sobre o período em que esteve preso:
“Uma das imagens mais marcantes que tenho é a de, estando na prisão, em um extremo de um salão grande, sendo torturado, chegarem por uma das entradas – a imagem não está tão clara – outros companheiros, em frangalhos, tendo sido espancados e torturados violentamente. Então, de repente, sai um dos oficiais que estava torturando aquele grupo, na mesma sala, e vem para cima de mim, sem ter nada a ver com o meu interrogatório, mas parece que sabia quem eu era. Pegou minha cabeça pelas orelhas e me sacudia: ‘Ô, seu filho-da-puta, vocês acham que é assim que vocês vão conseguir ganhar da gente? Esses caras que nós pegamos aí são da Ala Vermelha do PC do B. É a trigésima segunda organização que a gente desbarata. Vocês acham que assim tão divididos vocês vão conseguir vencer a gente?’ Isso foi, talvez, dos cinco meses de prisão, a imagem que mais me impactou. O filho-da-mãe tinha razão.”
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JOSÉ IBRAHIN
JOSÉ IBRAHIN
é egresso do movimento operário que se desenvolveu, durante os anos 60, no politizado município paulista de Osasco. Aos 21 anos, foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e, no ano seguinte, liderou a segunda greve operária durante o regime militar. Foi preso em fevereiro de 1969. No exílio, viveu em Cuba, Chile, Panamá e Bélgica. Em Bruxelas, foi fundador e presidente durante cinco anos da Casa Latino-Americana, organismo apoiado pela ONU que recebia os exilados políticos da América Latina. Em 1979, integrou o núcleo de nove dirigentes sindicais que deu origem ao Partido dos Trabalhadores. Tornou-se membro da Executiva Nacional do partido e, em 1982, candidatou-se à Câmara dos Deputados. Quatro anos depois, trocou o PT pelo PDT. Participou da fundação de três centrais sindicais e, atualmente, é secretário-geral do Centro de Atendimento ao Trabalhador, entidade ligada à Diocese de São Paulo. Em 2006, candidatou-se a deputado federal pelo Partido Verde.
Sobre o seqüestro do embaixador:
“Sem dúvida, no mundo inteiro, foi a ação revolucionária mais empolgante, porque foi de grande envergadura e de sucesso, coisa que o movimento político até então não tinha tido. E foi um golpe muito forte em cima da ditadura, balançou. Não é que fosse cair, a ação não foi para derrubar a ditadura, foi para libertar, fazer uma ação política espetacular que teve repercussão no mundo inteiro. E a troca dos presos políticos – aliás, se eles pedissem 50, saíam 50. Pediram 15, saíram 15. Mas podiam pedir 50. Eles não imaginavam que o compromisso dos milicos com os americanos era tão forte assim, que, se pedissem para esvaziar duas, três cadeias, dois, três presídios Tiradentes, esvaziavam. Era muito importante eles preservarem a vida do embaixador. Então eu acho que, como ação, aquela foi única. Houve vários seqüestros depois, mas não como esse; esse foi de peso.”
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RICARDO ZARATTINI
RICARDO ZARATTINI
é engenheiro e nasceu em Campinas em 1935. Após o golpe militar, atuou na reorganização do movimento canavieiro no Nordeste e foi preso três dias antes da decretação do AI-5, em dezembro de 1968. Cinco meses depois, conseguiu fugir e foi preso novamente em São Paulo pela Operação Bandeirantes. Libertado em troca do embaixador Elbrick, seguiu para o México e daí para Cuba, onde viveu quase dois anos. Depois de viajar pela Coréia do Norte, China, URSS, Itália e França, fixou-se no Chile em 1971. Com a queda do governo Allende, voltou ao Brasil clandestinamente em 1974. Foi preso mais uma vez em 31 de maio de 1978 e libertado pela anistia, em 1979, sendo o primeiro brasileiro a ter o banimento revogado. Trabalhou como assessor na Assembléia Nacional Constituinte e foi candidato à Câmara dos Deputados em 2002, ficando na suplência. Trabalhou na Casa Civil durante mais de um ano. No início de 2004, passou a exercer o mandato de deputado federal e continua a ser militante do PT.
Sobre o período em que esteve preso:
“Naquele momento eles me levaram para fora da sala de tortura, e pensei: tem alguma coisa errada. Porque foi um tratamento inteiramente fora da regra. Eles disseram: ‘Agora você vai comer um almoço aí, que nós queremos ver.’ Mas eu estava algemado, com as mãos para trás. Veio esse bendito almoço, que era muito diferente do comum, me lembro até hoje, um peixe com molho de camarão. Mas eu estava algemado. Saiu todo mundo da sala, o almoço ali na minha frente, e eu algemado sem poder comer. Fiquei mais ou menos duas horas nisso, a comida esfriou e tal. Então eles entraram na sala, me pegaram, me levaram, me botaram num camburão que nos levou ao Galeão. Foi o inusitado que aconteceu naquela manhã. O avião saiu à tarde, o Hércules.”
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FLÁVIO TAVARES
FLÁVIO TAVARES
Nasceu em 1934, em Lajeado (RS). Jornalista, advogado e professor universitário, em 1954, foi eleito presidente da União Estadual de Estudantes. De 1960 a 1968, foi comentarista político do jornal Última Hora. Integrou o grupo fundador da Universidade de Brasília, da qual é professor aposentado. Pouco depois do golpe de 1964, foi preso pela primeira vez, em Brasília. Entre 1965 e 1967, manteve contatos freqüentes, no Uruguai, com o exilado Leonel Brizola, assumindo a coordenação operacional do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) no Planalto Central e no Norte do Brasil. Sua segunda prisão foi em agosto de 1967 e durou quase cinco meses. Dois anos depois voltou a ser preso e intensamente torturado, após ter participado de uma operação que libertou nove presos políticos do presídio Lemos Brito, no Rio de Janeiro. Durante o exílio no México, foi redator do jornal Excelsior e, a partir de 1974, seu correspondente em Buenos Aires.
Na Argentina, também foi correspondente internacional de O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. Em julho de 1977, Flávio Tavares foi seqüestrado em Montevidéu pelo exército uruguaio – um braço da Operação Condor –, permanecendo 195 dias em cárcere privado. Uma campanha internacional resultou em sua libertação e embarque para Lisboa, onde viveu dois anos, antes de voltar ao Brasil, com a anistia, no final de 1979. Em 1999, publicou Memórias do esquecimento, que lhe valeu, em 2000, o Prêmio Jabuti na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Em 2004, publicou O dia em que Getúlio matou Allende. Flávio vive em Búzios (RJ).
Sobre a experiência brasileira da luta armada nos anos 60:
“Eu acho que foi uma experiência traumática, frustrante, mas foi um ato de uma generosidade tal, que eu o repetiria, sem os erros de antes. Nós estávamos dando o que de melhor nós tínhamos, nós não fomos para debaixo da cama. O chamado setor político foi todo para debaixo da cama, o setor empresarial, nem se fala, o setor sindical também. O Lula foi interventor da ditadura militar no Sindicato dos Metalúrgicos em São Paulo, começa a carreira de metalúrgico como interventor da ditadura militar – o Lula, dos melhores, sem falar nos outros, pelegos. Então, o gesto da luta armada, ainda que equivocado, ainda que errado, ainda que instrumentalizado de uma forma equivocada, ou pelo menos não a melhor, foi um gesto generoso.”
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VLADIMIR PALMEIRA
VLADIMIR PALMEIRA
Nasceu em Maceió, em 1944, em família de forte tradição política. Estudante de direito no Rio de Janeiro, Vladimir foi eleito presidente do Caco, diretório de estudantes da faculdade, em 1966. No ano seguinte, tornou-se presidente da União Metropolitana dos Estudantes (UME). Desempenhou papel destacado no movimento estudantil carioca e, em 26 de junho de 1968, liderou a Passeata dos Cem Mil, a mais importante manifestação de rua contra o regime militar. Preso durante o congresso da UNE em Ibiúna (SP) permaneceu dez meses detido, até ser libertado em troca do embaixador Elbrick. Seguiu do México para Cuba, onde viveu por três anos. Viveu na Argélia e partiu para o Chile no fim de 1972. Logo após o golpe que derrubou o governo Allende, exilou-se na Bélgica, vindo a formar-se em economia pela Universidade Livre de Bruxelas. De volta ao Brasil, participou do congresso de fundação do PT. Em 1986 foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, participando da elaboração da Constituição de 1988.
Foi por duas vezes escolhido pelo Diretório Estadual do PT para a disputa do governo fluminense, mas a direção nacional do partido só viria a aprovar sua candidatura nas eleições de 2006. Publicou o livro Abaixo a ditadura, sobre o movimento estudantil de 1968, escrito com José Dirceu. Vladimir vive no Rio de Janeiro.
Sobre o seqüestro do embaixador:
“Eu estava preso na PE de São Paulo. E havia um cabo, boa praça, boa gente, que me contou que tinham seqüestrado o embaixador americano. Os “terroristas”. E eu me diverti muito. Mas achei que era coisa da gente do Marighella, VPR. Um dia começou um movimento do cacete lá, chegava gente, nós ouvíamos barulho e tal. Me tiraram da cela, me jogaram num camburão, estava cheio de general, oficial, lá na PE. E disseram que iam me matar, em represália pelo seqüestro. Então, eu me preparei para morrer, sem grande alegria. Depois, quando eu estava nesse camburão, entraram Travassos e Dirceu, e disseram: ‘Que cara é essa?’ E eu tinha que estar rindo? Aí disseram: ‘Nós vamos sair, estamos na lista.’”
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JOSÉ DIRCEU
JOSÉ DIRCEU
Nasceu em Passa Quatro (MG), em 1946. Mudou-se para São Paulo aos 14 anos. Foi vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes, presidente do Centro Acadêmico 22 de Agosto e, em 1968, presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE). Tornou-se um dos principais líderes do movimento estudantil nacional. Foi preso em 1968, em Ibiúna (SP), durante o trigésimo Congresso da UNE. Após desembarcar no México, transferiu-se para Cuba, onde trabalhou e estudou. Voltou clandestinamente ao Brasil por um curto período em 1971 e retornou a Cuba. A partir de 1974, viveu por quatro anos em Cruzeiro do Oeste, no interior do Paraná. Passou mais um período em Cuba e, com a anistia, retornou a São Paulo, onde fixou residência. Foi um dos fundadores do PT, elegendo-se deputado estadual em 1986. Em 1990, foi eleito deputado federal por São Paulo. Em 1994, candidato ao governo de São Paulo, ficou em terceiro lugar, obtendo mais de dois milhões de votos.
Em 1995, assumiu a presidência do PT, tendo sido reeleito em 1997, 1999 e 2001 – dessa vez, em eleição direta entre os filiados do partido. Voltou à Câmara dos Deputados em 1998. Foi o coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 2002 e, após a vitória, assumiu o posto de coordenador político da equipe de transição. Licenciou-se da presidência do PT e do cargo de deputado federal para assumir como ministro-chefe da Casa Civil. Permaneceu no governo até junho de 2005, quando voltou à Câmara dos Deputados para defender seu mandato, que seria objeto de uma cassação política em dezembro do mesmo ano.
Sobre a geração de 1968:
“Em 68 começa no Brasil uma revolução cultural muito forte, porque o país era muito conservador, muito autoritário. Se não fosse a ditadura, 68 seria a segunda Semana de Arte Moderna. O cinema hoje está rapidamente tomando a dimensão histórica que já teve no Brasil. E se nós observarmos a arquitetura brasileira, as artes plásticas, a literatura e a força da cultura popular brasileira, vamos ver que somos uma civilização. O Brasil não é só o território, a riqueza, a biodiversidade, a natureza, não é só o povo brasileiro. O Brasil é uma civilização. Então, nesse sentido, acredito que a geração de 68, quando rompe com os padrões de comportamento cultural e não aceita a estrutura autoritária da família, das relações empresariais, das relações políticas que existiam, e combina a mudança de comportamento com a luta pela liberdade, deixa uma contribuição extraordinária para o Brasil. Eu me considero privilegiado por ter sido um dos estudantes da geração de 68, por ter vivido em 68.
Aquilo é quase um sonho.”
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MARIA AUGUSTA CARNEIRO RIBEIRO
MARIA AUGUSTA CARNEIRO RIBEIRO
Nasceu em 1947 e participou do grêmio estudantil antes de passar um ano nos Estados Unidos num programa de intercâmbio. Em 1967, cursando a Faculdade Nacional de Direito, começou a militar na DI-GB. No ano seguinte foi presa no congresso da UNE em Ibiúna. Foi novamente detida em maio de 1969. Seguiu do México para Cuba e mais tarde passou por Chile, Itália, Argélia e Suécia, onde se graduou em pedagogia pela Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Uppsala. Em 1979, com a anistia, regressou ao Brasil e participou da fundação do PT carioca. Trabalhou na Companhia Vale do Rio Doce, onde presidiu a entidade dos funcionários. Durante o governo Benedita da Silva, foi diretora da Fundação Santa Cabrini, órgão da Secretaria de Justiça do estado do Rio de Janeiro dedicado à recuperação e reintegração de detentos. Maria Augusta, ou simplesmente Guta, vive no Rio de Janeiro, onde exerce o cargo de ouvidora geral da Petrobras.
Sobre a geração 68:
“Um pouco da dificuldade da nossa geração é achar que foi tão inédito, tão diferente, tão fantástico, tão maravilhoso, e querer que todo mundo seja igual. Primeiro, acho que não fomos inéditos, não fomos tão fantásticos. Tivemos qualidades muito grandes como geração, mas não quero que ninguém seja igual, porque cada um tem que ser na sua época o melhor possível. Eu discordo de uma porção de coisas do meu filho, mas conseguimos conversar sobre tudo. A minha geração não conseguia conversar com a geração dos nossos pais.”
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AGONALTO PACHECO DA SILVA
AGONALTO PACHECO DA SILVA
Nasceu em Aquidabã (SE), em 1927. Ferroviário e militante do Partido Comunista Brasileiro, teve participação ativa na Associação dos Servidores Públicos de Sergipe. Elegeu-se vereador pelo PTB em 1958 e entrou na clandestinidade logo após o golpe de 1964, deslocando-se para São Paulo. Integrou-se ao grupo liderado por Carlos Marighella que daria origem à ALN. Foi preso em junho de 1969. Viveu dez anos em Cuba e retornou ao Brasil em 1979. Não acompanhou a reformulação de rumos do movimento comunista liderada por Roberto Freire, que resultou no PPS, optando pela reestruturação do PCB sergipano. Pai de dez filhos, viveu em Aracaju até morrer, em 13 de abril de 2007.
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GREGÓRIO BEZERRA
GREGÓRIO BEZERRA
Nasceu em 13 de março de 1900, no município pernambucano de Panelas de Miranda. Gregório Bezerra sofreu sua primeira prisão política aos 17 anos, sob acusação de “perturbação da ordem pública”. Militante do Partido Comunista do Brasil, participou em Recife da insurreição promovida em 1935 pela Aliança Nacional Libertadora. Libertado em maio de 1945, já em dezembro foi eleito deputado federal. Bezerra atuava junto ao movimento camponês pernambucano quando foi novamente preso, na semana seguinte ao golpe militar de 1964. A caminho de um quartel do IV Exército, foi arrastado e supliciado pelas ruas de Recife. Era o mais antigo preso político do país quando foi libertado em setembro de 1969. Acompanhou o grupo de 13 brasileiros que viajou para Cuba, onde passou algumas semanas antes de partir para Moscou. Voltou ao Brasil com a anistia e morreu de ataque cardíaco em 1983, em São Paulo.
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IVENS MARCHETTI
IVENS MARCHETTI
Foi militante do PCB no começo dos anos 1960 e atuava junto às bases do partido na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Logo após o golpe de 1964, participou da luta interna que formou a Dissidência de Niterói, organização que em 1968 passou a editar o jornal 8 de Outubro, assim nomeado em referência à data da morte de Che Guevara na Bolívia. O grupo tentou sem sucesso implantar um foco guerrilheiro no oeste do Paraná, onde Marchetti foi preso, em abril de 1969. Depois de passar por México e Cuba, Ivens viveu no Chile, onde foi novamente preso após o golpe de setembro de 1973. Passou a maior parte do exílio em Estocolmo, Suécia. Voltou ao Brasil com a anistia e retomou a atividade de arquiteto. Vivia entre sua cidade natal, Juiz de Fora, e Arraial do Cabo, no litoral do estado do Rio de Janeiro. Morreu de câncer em novembro de 2002.
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JOÃO LEONARDO DA SILVA ROCHA
JOÃO LEONARDO DA SILVA ROCHA
Era baiano como Carlos Marighella e nasceu em agosto de 1939. Ex-seminarista, formou-se na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Militou no PCB e foi um dos pioneiros na luta interna que resultou na formação da ALN. Participou de numerosas ações armadas, sem abandonar o trabalho como professor de português do estado de São Paulo. Tinha uma queda pelo cinema francês. Foi preso em São Paulo, em 28 de janeiro de 1969, no apartamento onde Marquito, poucas horas antes, havia sido assassinado por agentes da polícia. Depois de banido em troca do embaixador Elbrick, fez treinamento militar em Cuba e voltou ao Brasil clandestinamente em 1971, como membro do Molipo. Viveu em São Vicente, Pernambuco. Foi localizado e assassinado pela polícia no interior da Bahia, em 4 de novembro de 1974 – exatos cinco anos após Marighella ter sido fuzilado em uma escura rua paulistana.
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LUÍS TRAVASSOS
LUÍS TRAVASSOS
Ingressou, após fazer seminário em Bragança Paulista, no curso de direito da PUC de São Paulo, em 1965. Militante da JUC e, mais tarde, da Ação Popular, foi sucessivamente presidente do Centro Acadêmico 22 de Agosto, do DCE da PUC, da UEE de São Paulo e da UNE. Foi preso em Ibiúna, em outubro de 1968. Ao deixar o México, viveu por um ano em Cuba e chegou ao Chile em janeiro de 1971. Após o golpe que derrubou o governo Allende, exilou-se na embaixada do México e voltou a passar curto período naquele país. Desembarcou em Bruxelas em 1974 e, com auxílio da Anistia Internacional, instalou-se numa cidade. Travassos chega ao Deops, após ser preso em Ibiúna. Uma bolsa concedida pela instituição protestante Ökumenisches Studienwerk lhe permitiu iniciar os estudos de economia na Universidade Livre de Berlim. Com a anistia, retornou ao Brasil, onde participou da fundação do PT e trabalhou como economista.
Morreu em um acidente de carro no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, na madrugada de 24 de fevereiro de 1982, uma quarta-feira de cinzas.
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ONOFRE PINTO
ONOFRE PINTO
Nasceu em Jacupiranga, São Paulo. Ativo participante do Movimento dos Sargentos que antecedeu o golpe de 1964, teve seus direitos políticos cassados pelo AI-1. Foi militante do MNR e, em 1968, fundou a VPR. Foi preso em São Paulo no dia 2 de março de 1969. Do México foi para Cuba. Travassos chega ao Deops, após ser preso em Ibiúna. Passou pela Europa e reuniu-se à colônia de exilados brasileiros no Chile. Pouco antes do golpe que derrubou Salvador Allende, fugiu para a Argentina. Em julho de 1974, ao tentar voltar clandestinamente ao Brasil liderando outros cinco companheiros, foi atraído pelos órgãos de segurança e morto em uma emboscada no sudoeste do Paraná. Seu corpo nunca foi localizado.
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ROLANDO FRATI
ROLANDO FRATI
Era filho de uma família de anarquistas de origem italiana. Nasceu em São Paulo, em 21 de janeiro de 1912. Começou muito jovem sua militância no movimento operário e ingressou no PCB em setembro de 1937, quando era presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo. Em 1941, deslocou-se para Santo André, onde veio a se tornar secretário do PCB. Já como membro do Comitê Central do partido, passou os anos 1953 e 1954 na União Soviética, de onde retorna antistalinista. Depois do golpe de 1964, acompanhou Carlos Marighella na luta interna que resultou na formação do Agrupamento Comunista de São Paulo, mais tarde ALN. Frati foi um dos expulsos do PCB em 1967, durante o VI Congresso do partido. Em 8 de março de 1969, sofreu sua décima segunda prisão política.
Após a libertação, em setembro de 1969, passou curto período no México e seguiu para Cuba, onde começou a organizar, juntamente com Ricardo Zarattini, a Tendência Leninista da ALN. Foi para o Chile e, após o golpe de 11 de setembro de 1973, asilou-se na Itália. Naquele país, aproximou-se das teses do eurocomunismo e percorreu a Europa participando de seminários, conferências e debates sobre a ditadura brasileira. Articulou a criação do núcleo europeu de apoio à oposição sindical no Brasil. De volta ao país com a anistia, retomou o trabalho junto aos sindicatos e teve morte natural em 1991.
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